PALHAÇO
PALHAÇO
Confesso que gostaria de dizer
Belas palavras sobre o lindo amanhecer
Descrever o pôr do sol ao entardecer
O corpo da amada depois do prazer
Deus me concedeu o dom da poesia
De plantar no terreno da alma vazia
A beleza, o que não é visto, mas extasia
O sorriso que arranca de dentro a alegria
Mas o poeta é o palhaço que chora
Enquanto a plateia efusivamente sorria.
O palhaço que depois do espetáculo implora
Na solidão do quarto, por uma companhia,
Por uma muleta, um apoio, uma escora,
Um afago para que a sua dor traga a alivia.
Poeta matemático
Enviado por Poeta matemático em 30/11/2024