FORJA
FORJA
Hospitais são fornos humanos!...
Moldam pessoas, mesmo as de aço:
Ricos, plebeus, filisteus, romanos...
Entram inteiros, saem em pedaços.
Todo pudor e toda empáfia são triturados
Um arranhão, um tumor, fraturas nos braços
São, pelos forjadores, remediados, suturados
E depois visitados, recebendo mimos e abraços.
Toda empáfia, arrogância, pudor... desmoronam
Fezes fedem, todos os sangues são vermelhos
Todos, a seus modos, choram, se emocionam
Parecemos iguais diante desses opacos espelhos
As noites são longas, os dias no leito, intermináveis
A sinfonia de gritos de dores, de gemidos, de agonia
Toca repetidamente entre choros e perdas irreparáveis.
Novos corpos entram, outros corpos saem – monotonia!
Enfermeiras vestem branco. São seres divinos, alados!
Voam pelos corredores pisando no sono, no cansaço
Outros seres divinais varrem, limpam, juntam calados
Dejetos, objetos, imundícies... têm estômago de aço
Hospitais são forjas humanas, escolas perfeitas
Para quem esqueceu que é também humano
Lá não tem a música, a comida, as roupas prediletas
Há somente a nuvem que habita o divino e o profano.
Poeta matemático
Enviado por Poeta matemático em 17/02/2025